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Redson, um aperto de mão

Redson, Cólera (1962 - 2011)

Eu estava encostado numa porta que dava acesso ao “palco” de shows, no Black Jack, um extinto bar da zona sul de São Paulo. Eu tinha uma banda de hardcore, mas não podia me considerar um fanático pela cena independente, pelo faça você mesmo. A gente ensaiava, conhecia pessoas e bebia, basicamente nessa ordem.

A banda da noite era o Cólera, que quando comecei a ouvir esse tipo de música, meu irmão tentava me convencer que era boa, mesmo usando apenas a distorção footswitch do amplificador para todas as músicas (é, esqueci de dizer, eu era um idiota nessa época). Eu conhecia, tinha ouvido umas fitas gravadas, sabia da mitologia punk envolvida no processo, fui no show de 20 anos no Hangar, tinha ainda o Redson, uma lenda q…

– E aí, cara, tudo bom? – Aperto de mão
– Beleza, mano, e aí?
– Po, lotadão hoje, vai ficar louco isso aqui.
– Ah, vai sim.
– Deixa eu arrumar as paradas ali, até mais, cara.

Foi um aperto de mão do Redson, esse frontman do Cólera, que não me conhecia. É, o vocalista da banda que encerraria a noite. Um cara que eu vi algumas vezes em cima do palco e que, por uma iluminação qualquer do destino, decidiu me cumprimentar e trocar umas palavras. Até hoje eu sinto esse momento como um dos mais importantes que já tive na vida. Não pela tietagem pura, mas pelo que viria seguir.

Claro, por um lado foi só um aperto de mão. Entretanto, pelo lado que até hoje me faz lembrar desse dia, foi algo que, caso não tivesse acontecido eu não teria prestado tanta atenção em como aquele cara era sério com a sua banda, como dizia umas paradas interessantes. Jamais teria coragem de levar minha banda à frente, de ter organizado shows e saído com uma mochila cheia de cola artesanal para apregoar cartazes no centro da cidade. Jamais teria dado o valor exato à música e a capacidade que ela tem de mudar a sua cabeça, de fazer você raciocinar. Nunca teria feito tantos amigos diferentes, nem teria feito parte da multidão que lotava festivais, que comprava discos e distribuia flyers. Talvez nunca tivesse colado um patch na jaqueta, nem sequer decorado o nome de bandas finlandesas. Dedico tudo isso que vivi na cena punk independente (e que talvez ainda possa viver) a esse dia no Black Jack, a esse pequeno enlace de acontecimentos casuais com alguém que foi e sempre será um ponto de referência para o cenário punk no Brasil.

Mas, principalmente, caso nada disso tivesse acontecido, eu nunca teria parado aqui para reverenciar e demonstrar meu eterno respeito e admiração pelo cara que conseguiu me impulsionar tanta experiência de vida com um simples aperto de mão.

***

Sobre
Morre Redson Pozzi, líder da banda Cólera

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Um arquivo .exe do bem

Se eu tivesse um site de compras coletivas, ou qualquer um desses que tenha clientes, faria uma promoção em que a cada 10 mil acessos, para o exato 10.000º apareceria um banner gigante escrito PARABÉNS, VOCÊ É NOSSO 10.000º CLIENTE E ACABA DE GANHAR UM IPAD, CLIQUE AQUI”.

E então o malandro ia clicar e abrir automaticamente um arquivo ‘.exe’, mas não se engane. Esse arquivo iria instalar apenas um programa simples de cadastro no computador do cliente, sem malwares ou barras de navegação pro IE. Assim que ele completasse o cadastro (considerando que ele conseguisse resistir a todo esse terror psicológico até aqui), receberia uma mensagem em seu e-mail pessoal confirmando a entrega do prêmio em três dias úteis.

Internet é para os desbravadores.

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No more Hawaii Five-0

O amigo André Maleronka me parece um grande fã de The Wire. Eu, com a primeira temporada quase enferrujando em casa, estava sem vontade de assistir e quase deletava antes de levantar a bola uma Twitter se alguém havia visto, perguntando, basicamente, se a tal série não se passava de outro CSI, porque essa bolha de séries policiais parece não enxergar limites.

Então ele me disse pra ver que era sensacional, mas só me convenceu mesmo depois de mandar essa entrevista da revista Vice com David Simon, o criador da série.

E abaixo, a parte mais sensacional, embora desse pra quotar a entrevista toda:

Me parece que as pessoas querem ser especiais, únicas, e o lance shakespeariano discursa isso.
Isso! Vamos celebrar a mim e a maravilha que sou. Não é sobre a sociedade. Os gregos, especialmente os atenienses, eram consumidos por questões sobre o homem e o estado. Eles deram cicuta para Sócrates porque as sua ideias eram antiéticas em relação às noções deles de estado. Olha, isso, de qualquer maneira, é totalitarismo mas para ele, ele era cínico em relação à democracia e um iconoclasta em relação aos princípios democráticos. Isso atingiu o âmago do pensamento grego. Foi algo do tipo, “Não mexa com isso”. Agora, o que foi exaltado e o que consome o entretenimento norte-americano é o indivíduo sendo maior do que a instituição. Quantas vezes iremos assistir a uma história onde alguém…

Se rebela contrariando as expectativas?
“Você não pode fazer aquilo.” “Sim, eu posso.” “Não, você não pode.” “Eu vou te mostrar.” E no final ele é reconhecido só como um rebelde de bom coração com a justiça ao seu lado, e eventualmente a cidade percebe que dançar não é tão ruim. Eu posso inventar milhões deles. Essa é a história que queremos que seja contada sem parar, e sabe por quê? Porque em nossos corações o que nós sabemos sobre o século XXI é que a cada dia vamos valer cada vez menos, não mais e mais.

Valer menos enquanto povo, você quer dizer?
Enquanto seres humanos. Alguns de nós vai ganhar mais dinheiro e valerá mais. Existem pessoas destinadas à celebridade, riqueza ou poder, mas o norte-americano comum, a pessoa comum no mundo, no planeta Terra, vale cada vez menos. Esse é o triunfo do capital, e aí que está o problema. Você olha para isso e pensa a que ponto chegamos, e é para lá que estamos indo, e é tipo, “Pode me contar outra história de ninar sobre como as pessoas são especiais e como cada um de nós é importante? Você pode me contar uma merda dessas?”

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Pensando no superlativo

A primeira vez que fui trabalhar numa empresa, estava com frio na barriga sobre o que deveria dizer, ou me portar, os sorrisos certos, conhecer pessoas, manter alguns laços iniciais de amizade para serem lembrados depois com alguma ternura. E fui trabalhar. Lembro que tive de ler um manual de vendas de sei lá, 350 páginas, cheio de ilustrações e com textos corridos muito bobos. Terminei antes do almoço e tive que reler. Terminei às três horas e depois repassei todos os pontos até o horário de ir embora.

Cheguei em casa bem feliz, meus pais me receberam com alegria, eu contei meu dia, falei sobre as pessoas, sobre como a gerente parecia rica, mas também parecia uma pessoa muito simples. Jantei e fui dormir. O primeiro pensamento do dia seguinte foi: “caramba, não tinha pensado que seria todo dia”.

***

Marquei mentalmente São Bernardo do Campo como a cidade do Subway. Não sei se foi alguma sorte do meu caminho, mas em meia hora dentro da cidade eu vi dois Subways de rua e uma placa gigante sobre outro.

Peguei um freela itinerante de final de semana que se resume em digitar contratos imobiliários com atenção naqueles stands de venda com apartamentos decorados. Essa é a parte que eles avisaram durante o treinamento. Não disseram sobre uma pequena sala cheia de gente rindo alto, sobre trabalhar em meia baia com sinal de rede oscilante, numa cadeira de plástico dessas de boteco, mas principalmente, não falaram sobre o gordinho espaçoso que sentaria ao meu lado com um arsenal de piadas batidas sobre o Rogério Ceni que ele repetia em voz alta para cada um que entrava. Calcule.

Dá pra levar, é de vez em quando e rola um pagamento honesto. Era isso ou montar uma lojinha online aqui no blog (nota mental 1: a idéia não foi de todo descartada) pra vender meus CDs, DVDs e artigos inutilizados do armário (nota mental 2: não os livros, nunca os livros).

Eu queria poder dizer que foi legal estar trabalhando no sábado, afinal, eu procurava uma parada exatamente como essa pra recobrar a ordem financeira da minha conta bancária. Mas a gente sempre acaba achando um jeito de pensar na vida de um jeito superlativo que acaba ferrando tudo. Quero dizer que, estamos ali trabalhando amarradões, quando entre um contrato e outro eu penso que não me via aos 27 anos de idade tendo que fazer um bico desse pra que as coisas pudessem voltar ao normal. As coisas já eram normais, fui eu que deixei elas se esculhambarem ladeira abaixo. Mesmo assim eu descobri que não consigo lidar muito bem com o fato de ter outra obrigação da qual dependo dessa forma.

Claro que é exagerar um pouco as coisas, mas é como pensei outro dia, enquanto esperava a marmita esquentar e vi alguns amigos voltando do restaurante. De todos os futuros que previ, em nenhum deles estava ainda estar morando com meus pais e tendo que me esforçar tanto pra terminar de pagar um carro; nem que eu estaria feliz com a possibilidade de escrever textos de 7000 caracteres por R$ 30,00 (é, eu já desisti da idéia), nem que fosse esperar a marmita esquentar enquanto lia alguma coisa na cozinha.

Um trabalho pode ser algo que você adore fazer, mas nem sempre vai ser assim. E digo que se amanhã você não está muito afim, isso quer dizer que você não adora seu trabalho tanto assim, certo? Você pode não reclamar das suas tarefas e correr pra que tudo dê certo no final do dia, mas nada disso caracteriza adoração. E talvez por isso nunca estaremos satisfeitos com nada do que vier. Mesmo um alto salário, uma dose exagerada de independência ou uma cartela de bons benefícios podem te fazer olhar à sua volta e pensar sua vida no superlativo.

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What’s up, doc?

Eu tenho isso com consultas médicas.

Acontece sempre que você está do lado de fora aguardando chamarem seu nome naquelas cadeiras infantis confortáveis esperando que o(a) médico(a) seja ultra paciente com seu problema atual, entenda seu lado, passe a mão na sua cabeça, diga algo parecido com “pois é, eu sei como você se sente”, lhe entregue um pacote de doces no final e diga, “seja um bom menino e tome os remédios, ok?”.

É então que, de dentro da sala, uma voz furiosa ecoa pelos quatro cantos da clínica dizendo seu nome. Ela precisa ser furiosa para ecoar, pois o médico está sozinho lá dentro e o último paciente possivelmente com algum problema de ordem mental deixou a porta quase encostada. E no segundo antes de levantar você pensa porque diabos esses consultórios nunca avaliam a necessidade de sistemas de som e microfones nas salas de consulta. Você não culpa o médico por não ter feito o esforço básico de levantar e ir até a porta. Você não pode culpar alguém com uma voz tão assustadora.

Você também não quer mais entrar no consultório, mas acaba levantando apenas pelo frio na espinha que aquela voz alta, dirigida e ríspida lhe provoca. E no fundo você sabe que não existe uma forma dessa voz alta, ríspida e dirigida lhe acariciar a cabeça dizendo que entende seu problema. Não há outra forma, você vai ter que abrir a porta com um sorriso de esperança e enfiar na cabeça que é tudo o que você tem. Lá dentro, em segundos, vão estar juntos você, seus problemas atuais e a dona de uma intimidadora voz cansada de ouvir problemas menores e indicar xaropes e que certamente não vai lhe dar um pacote de doces quando terminar de escrever a receita.

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Cidades para Pessoas

Ontem, como um patrocínio da greve da CPTM, trabalhei em home office (obrigado, internet, abs), tudo depois de uma ingênua e mal sucedida tentativa de me locomover até a empresa de ônibus. Numa conversa no MSN sobre o medo da quarta temporada de Breaking Bad ser a última, o amigo Fábio sugeriu que eu tivesse vindo de bike, mas pelo jeito até a ciclovia estava de greve (e eu consegui imaginar os seguranças me barrando, ‘não, não vai entrar, tá fechado, não dá, não pode’, ‘mas amigo, não é pra pegar trem, amigo, olha a bicileta aqui’, ‘não dá, não dá!’). Tudo isso, claro, num mundo ideal em que eu tivesse uma bicicleta.
E aí, trabalhando com o SPTV ligado, passa uma matéria sobre o prefeito de Copenhague que saiu por aí bem verão com a reportagem da Globo tentando usar a faixa reservada para bicicletas, ficou com medo e tal, reação bem normal pra quem vive numa cidade que tem 350km de faixas reservadas aos ciclistas. E o Kassab, inovador como sempre (NOT), está reservando uma faixa de trânsito exclusiva para quem tem duas pessoas ou mais no carro.

Deu pra notar uma atenção maior ao trânsito, agora que estamos quase entrando num colapso com tantos carros na cidade. É um debate muito grande, envolve economia, cultura local, não mexer com os pequenos culhões da classe média, essas coisas grandes e confusas. Mas que está perturbando a vida na cidade, isso já deu pra sacar.

Embora os ciclistas sejam tão chatos quanto vegetarianos e essa galera que usa mac segundo o e001, inovar é muito mais que começar a pensar em abrir as faixas reservadas a bicicletas durante a semana. Se o trânsito de São Paulo tem solução, não sei, mas tem gente bem interessada em descobrir.

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It’s a trap!

Indicado no blog do Daniel Piza, do Estadão (e que, a propósito, ingressou no Twitter hoje mesmo), este artigo The Twitter Trap, de Bill Keller, editor executivo no NY Times, é cheio de boas aspas sobre as mesas redondas de nossa época, as mídias sociais:

“Last week my wife and I told our 13-year-old daughter she could join Facebook. Within a few hours she had accumulated 171 friends, and I felt a little as if I had passed my child a pipe of crystal meth”

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“But before we succumb to digital idolatry, we should consider that innovation often comes at a price. And sometimes I wonder if the price is a piece of ourselves”

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“Basically, we are outsourcing our brains to the cloud. The upside is that this frees a lot of gray matter for important pursuits like FarmVille and “Real Housewives.” But my inner worrywart wonders whether the new technologies overtaking us may be eroding characteristics that are essentially human: our ability to reflect, our pursuit of meaning, genuine empathy, a sense of community connected by something deeper than snark or political affinity.”

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“Twitter is not just an ambient presence. It demands attention and response. It is the enemy of contemplation. Every time my TweetDeck shoots a new tweet to my desktop, I experience a little dopamine spritz that takes me away from . . . from . . . wait, what was I saying?”

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“Whether or not Twitter makes you stupid, it certainly makes some smart people sound stupid.”

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Onde vivem os monstros


Worried Shoes, Karen O & the Kids

A vida é esse grande supermercado de lembranças. A gente caminha pelas ruas e encontra num dos corredores aquele amigo com quem batia figurinhas na escola, aquela menina que te ensinou significados novos para a palavra “platônico”, embora não faça a menor puta idéia disso. Gente que fez diferença para que você construísse isso que você é.

Infelizmente, “isso que você é” não é algo que seja feito apenas de grandes gênios, bons corações e existências iluminadas. Acabamos invariavelmente encontrando também aquele setor abandonado de frutos do mar, uma bancada que cheira azedo e só pode oferecer pedaços de escamas perdidos entre o gelo, alguém de quem tentava se esquecer, alguém que traz seus pesadelos mais escondidos à tona, alguém que talvez não se importe muito com tudo isso e talvez nem saiba de que forma sua presença pode causar terror.

A gente sempre sabe. E passa batido, em frente, a mente tentando abominar a imagem, como a de um fantasma, um monstro que escapulira do armário de onde nunca deveria ter saído. Mas a lembrança continua com você, pra sempre. É ela que você carrega no carrinho, embaixo de todo aquele amontoado de potes de geléia e sacos de arroz de cinco quilos.

Não adianta esconder seus monstros, nunca adianta, eles sempre voltam. A única receita a tudo isso pode ser a mais fácil que é saber conviver com eles, que retornam em momentos inoportunos, como um nariz que sangra, para você lembrar quem foi um dia. Vão te dar aquele olhar de que sabem mais sobre você do que você mesmo. E voltam para aquela ilha escondida em um lugar qualquer que nossa alma cria.

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Tablets e toda essa choradeira

Melhor atual definição sobre tablets veio num making of promocional do Xoom, o novo gadget da Motorola que teve pré-lançamento numa página lindona no site da firma. O vídeo é gringo e estava um pouco em cima da hora demais para legendar, mas esse trecho chamou muita atenção:

“Você pode fazer um tablet, mas dependendo da maneira que funciona o software, a experiência não é otimizada para um tablet. Então você sente que comprou um smartphone e que ele só não cabe mais no seu bolso.”

—Jim Wicks, Vice Presidente da Motorola

Certo que o Android Honeycomb (o novo sistema operacional dedicado a tablets) promete melhorar tudo, mas a verdade tá aí. Ou não. Realmente não faz sentido algum andar com um “smartphone de 10 polegadas” por aí. Também não faz sentido dizer: “vale a pena se a conexão for rápida” porque o fator tamanho não tem relação nenhuma com o fator usabilidade. E esse sou eu levando isso muito a sério.

Ter um tablet que rode o mesmo Android do seu celular não agrega. A não ser que você seja um aficcionado por exibir seus pertences por aí, como esses carinhas que ouvem sets de funk e sertanejo no metrô. Ou que você tenha quatro metros de altura e bolsos gigantes.

É justamente por não querer toda essa conectividade, interação, joguinhos, mídias sociais e câmeras de alta definição que eu ainda prefiro os tablets dedicados a leitura como o o Kindle ou o Positivo Alpha.

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Os homens mais perigosos da América

Daniel Ellsberg é o nome por trás do caso Pentagon Papers, que revelou ao mundo as mentiras desferidas durante a guerra do Vietnã. O documentário The Most Dangerous Man in America, de 2005, descreve com detalhes seus feitos para a história da democracia, às vezes em citações, às vezes em declarações humanas como essa:

“Em 4 de julho de 1946, viajávamos para Denver passando pelos milharais de Iowa. Um dia muito quente, ao meio dia, meu pai adormeceu ao volante e o carro saiu da estrada rumo a um canal, uma parede no lado da pista e arrancou o lado do carro onde estavam sentadas minha mãe e minha irmã e as matou. Eu estava do outro lado, atrás do motorista, tive uma concussão e quebrei um joelho, fiquei em coma por 36 horas e no hospital por cerca de três meses e meio.
Creio que isso provavelmente me deixou a impressão de que alguém que amava, como meu pai, ou que eu respeitava como autoridade podia dormir no volante. E tinha de ser observado, não porque fosse mau, mas porque estava desatento, talvez, quanto aos riscos.
11 meses antes quando eu tinha 14 anos, Hiroshima e Nagasaki tinham sido destruídas. Fiquei muito preocupado com essa sequência de fatos humanos. Pensei que era muito sinistra. O que eu via como um ato moral extremamente questionável do nosso presidente que eu admirava, Harry Truman, confundiu-se em minha cabeça com a falha do meu pai em ficar alerta e permitir que o carro matasse minha mãe e minha irmã”

Narrado por ele próprio, a história é contada através de fragmentos, como de costume, e remontada por meio de locuções épicas, declarações presidenciais, entrevistas, capas de jornais. Apresenta o personagem por completo, não apenas um revolucionário tentando quebrar as regras do mundo, mas sim um homem simples e sensato, em busca do que acha verdadeiro.

Um documentário sensacional, por apenas 700MB no Torrent mais perto de você.