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Top Hits de 2010 #001

Esta não é uma lista, mas uma seleção não-definitiva destes programas que marcaram meu ano de 2010. Quando lembrar, posto outros.

::Rádio Sulamérica Trânsito
Meu oráculo de delfos para chegar no trabalho com menos atraso, escapando de caminhos tortuosos, acidentes e faixas bloqueadas. É, de longe, o serviço de utilidade pública que mais utilizei este ano. Sem contar que acompanhar o trânsito diariamente se torna um vício, acredite. Várias vezes me peguei ouvindo a rádio voltando de noite, sem necessidade, naquele momento em que só preciso estar mais próximo de alguém que conheço. Essa é a rádio sulamérica trânsito ajudando você a superar o trânsito de São Paulo seus problemas afetivos.

::Programa Elas & Lucros
Quem acompanhou o começo deste blog sabe que eu estava financeiramente destruído no final de 2009 e que foi uma batalha sem limites conseguir reorganizar minha vida no Itaú. E, bem, este programa, da Brasil 2000 (107,3 FM), passa exatamente no horário em que estou a caminho do trabalho, o que facilitou todo nosso relacionamento. Com avaliações de casos, notícias e entrevistas com profissionais, eu consegui colocar tudo no papel e passar uma borracha nesse caos todo. Ah, sim, o programa é dedicado a mulheres, mesmo tendo diversos homens sendo entrevistados, ou tendo seus casos avaliados ou nos comerciais. Óbvio, mas não posso deixar de dizer, os comerciais são destinados ao público feminino (único ponto negativo) e se tornam insuportáveis num nível Sex & the City para os ouvintes masculinos.

::Man vs. Food
Just a regular guy, with a serious apetite. Não sei contar pra quantas pessoas eu falei desse programa este ano. Só pra Núbia foram umas três, pelo menos. É aquele do cara que roda os Estados Unidos atrás de desafios gastronômicos e comidas interessantes. Foi lá que descobri o cachorro-quente mexicano, com salsicha enrolada em uma tira de bacon, no pão com feijão, vinagrete e queijo (um dia ainda faço essa parada). Programa da Travel Channel, mas passa na TV a cabo brasileira pelo Fox Life. É o único programa de TV que consigo assistir sem marasmo ou desprezo intelectual. É um programa que assisto exatamente como os Reaction Guys, sério.

::Quadrinhos dos anos 10
Era um dia comum aqui no escritório, quando pegam o livro do André Dahmer para produzir no site. Perguntaram se eu conhecia e eu parei tudo o que estava fazendo na tentativa absurda de explicar a genialidade em questão. Impossível, óbvio. Mesmo assim, ainda consegui converter uma compra do livro, que rodou pela casa de todo mundo aqui na mesma semana. Os Quadrinhos dos Anos 10 não necessitam de explicação, basta um acesso ao site do Malvados, e você vai se pegar clicando em ‘tirinha de ontem’ de maneira compulsiva até o final do dia útil (ou até o final do ano, uma vez que faltam dois dias e tal).

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Vibe boa

E hoje, em edição especial, já que não consegui ligar nessa caralha de celular o vídeo abaixo é para o amigo/bróder/irmão Leo Pollisson, que faz aniversário hoje (e essa é a parte em que eu omito que pensava que a data era ontem, por um negócio de relógio biológico desregulado por dormir tarde demais no natal), com o Beach Boys tocando uma das músicas-tema de sua vida, em meandros (que palavra) de 1979:

Daí que eu lembro do último show do Beach Boys no Credicard Hall, que vimos de perto, uma vez que o lugar estava relativamente vazio. E lembro da Golden Era da empresa que ele ainda trabalha, quando saíamos pra fumar e pensar como seria quando ganhássemos na mega-sena da virada e pudéssemos comprar a empresa, criando cargos como supervisor de Guitar Hero, que teria uma entrevista supervisionada pelos sócios e TERIA de zerar o jogo pelo menos no hard. Coisas do tipo. E lembro tanta história pra dar risada, tanta depre que passou, tanta piada interna que só a gente riu.

O ano virou, mas as boas vibrações nunca param.

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Outra leitura

“Acho que ler um livro é importante para você não estar aqui nem agora. Para você não ser você por um tempo. Para você ser os outros e habitar outros lugares durante o tempo em que estiver lendo. E, quando você voltar ao aqui e ao agora, a você mesmo, voltará com os olhos muito mais aguçados (…) Fala-se muito que temos uma grande afeição ao caos, que o mundo é informe e que a arte daria forma às coisas. Na verdade, temos pânico do caos. Nós não conseguiríamos viver sem alguma ordem na nossa história. E o que a literatura faz é desordenar um pouco isso, mostrar outras maneiras de organizar nossa vida”.

Beatriz Bracher, escritora, em trecho citado na última coluna da Eliane Brum em 2010, pela revista Época.

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por Um Laerte cartunista

‘Você não fica louco de ter que inventar uma história nova todo dia?
Realmente não tem perigo nenhum. Muitos autores novos inclusive me perguntam isso, como fazer quando tiver um branco, quando der aquele vazio existencial, um bloqueio, como entregar uma tira? O que eu digo é que não se deve ter medo. Se você quiser, existem bons facilitadores para esse momento, que é um momento meio perturbador mesmo. Anote coisas que você acha que um dia podem ser histórias, uma situação, um fragmento de ideia, vai juntando tudo numa pasta, numa caixinha de sapato, coisa assim. Chama isso do que você quiser, “fragmentos de ideias”, “fetos” (eu já ouvi essa, tinha uma amiga minha que chamava assim), “armazém”. Eu até hoje tenho isso, mas o fluxo nunca teve grandes problemas.’

Laerte, dessa vez numa entrevista de verdade, pela sempre gloriosa Vice Magazine.

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Piscinão, the movie

Ontem, no meu atual oráculo de Delfos chamado rádio Sulamérica trânsito, pouco antes das dez horas da noite, ouço uma notícia sobre os alagamentos na cidade de São Paulo.

Não sei exatamente quem era o entrevistado, mas era claramente o contraponto da matéria. Apesar dos terríveis alagamentos em Osasco e na zona sul – exatamente os dois lugares por onde passei ontem – o malandro defendia a prefeitura que estaria fazendo o possível com a verba dedicada à infra estrutura da cidade contra estes desastres naturais.

Pra fechar a matéria, ele disse algo como ‘inclusive a ação já começou e já foram instaladas câmeras em todos os piscinões da cidade.

Alguém pode me explicar como câmeras de monitoramento são mais imprescindíveis que a limpeza de bueiros e a retirada de lixo indevido? Porque, sinceramente, até uma tentativa possivelmente frustrada de conscientização sobre o acúmulo de lixo soa mais interessante do que o monitoramento de um buraco gigante.

A caixa de comentários está aberta.

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Os malfeitores do Google

Os filmes de Hollywood sempre trataram como vilãs empresas megalomaníacas como a Luthor Corp, Stark Industries, Skynet, esse tipo de coisas. Isso porque o mundo que vivemos é apático e nada muito significativo acontece diariamente. É um mundo em que se trabalha a maior parte de tempo trancafiado em uma ou duas instituições empresariais, mal tendo tempo para ver o sol (ou a verdade que está) lá fora.

Por isso tantos filmes de ação inebriantes, por isso Batman, Homem Aranha e Superman nos confundem com tantos conselhos, por isso aquela receita certeira de filmes homem-derrotado-muda-de-vida-extraordinariamente-e-salva-o-mundo. Porque precisamos de uma história que salve o mundo por nós, precisamos de zumbis para ter medo de algo além da escuridão do nosso futuro desconhecido, precisamos do Bruce Willis saindo do carro num cavalo de pau e atirando, porque os tiozinhos de 55 anos que conhecemos estão mais preocupados em se aposentar dignamente e ser bem cuidados pelos filhos quando o Alzheimer bater.

Porque a vida, resumindo, é entediante demais pra ser contada.

Todo este ponto que estou tentando provar é para defender a empresa vista pelos criadores de correntes de email teorias conspiratórias como a mais assustadora forma de dominação possível: O Google. Empresa que, ao invés de divulgar suas ações sociais, solta um videozinho no Youtube explicando onde foram parar suas contribuições para a humanidade em 2010:

É aquele negócio do jogador de futebol que ganha milhões pelo mundo, cria uma marca multimilionária e abre escolinhas de futebol no bairro humilde onde morou quando pequeno, para dizer ao mundo que se importa com algo além de seu carro, as vadias e a balada sem controle. E o mundo segue nessa ironia de que isso faz do jogador em questão um humanitário, envolvido diretamente com a causa social da qual é fruto. Não é. Se ele se interessasse, montaria um centro educativo, reformaria quadras públicas, ruas, casas, daria uma vida decente aos seus e não apenas a remota possibilidade de uma. Porque quem quer fazer alguma coisa pelo mundo não abre escolinhas com o troco do IPVA, nem se reúne na Paulista com 20 fãs achando que vai mudar muita coisa. Mas esse é assunto para um outro dia.

O Google e algumas outras empresas perdidas por aí sabem do valor que existe em construir 15 mil escolas na Índia, ou vacinar 50 milhões de crianças no mundo todo contra polio. É absolutamente o contrário do que ‘aprendemos’ nos filmes e muito mais do que se espera da atual maior companhia do mundo.

E o lado bom que sobra disso é que, se num futuro distópico qualquer eles usarem nossos dados pessoais para criar uma sociedade mentalmente aprisionada, talvez um dia possamos ver tiozinhos como Bruce Willis por aí rodopiando carros e descarregando suas uzis contra agentes do governo.

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Ensaios Dominicais

Assistir Multishow no final de semana geralmente significa que algo grave aconteceu, ou está acontecendo, embora isso não venha ao caso. Estava vendo aquele programa em que eles pegam uma celebridade e fazem com que ela tenha um trabalho comum por um dia. A idéia é que o atorzinho da novela das oito deixe o Projac e tenha seu dia de garçom, vendedor de loja ou faxineiro de shopping.

Quando toda a diversão que lhe resta ao redor é uma programação de domingo entediante, esse programa se torna automaticamente uma coqueluche do entretenimento barato, da qual consigo inclusive esperar os comerciais – com o devido desvio de pensamento de todas aquelas propagandas ‘geniais’ (NOT).

Isso quando as pessoas que participam são famosas e tal. Engraçadinho ver a Angélica tropeçar com as bandejas de suco na mão, ou o Arnaldo César Coelho de taxista, por exemplo. Mas quando colocam alguém desse mundo B de celebridades, não faz sentido algum. Se o cara vai passar batido e uma ou duas pessoas vão reconhecê-lo ‘de algum lugar’, qual a diferença dele pra todos nós, reles mortais, sem crachá de acesso aos estúdios do Projac?

Claro, não parei de assistir até o final.

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Os Mujiques e a vida como ela é

Anton Tchekhov é um dos maiores contistas da história, mas só o descobri agora, no momento relativamente certo, quando você sabe realmente o que está procurando. Uma das coisas que mais me chama a atenção logo de cara é como ele faz de seus contos grandes, grandes contos. Cada capítulo tem sua própria história, com começo, meio e fim e nos garante a perfeita sensação de ler diversos contos interligados num só.

Além da linguagem e dos temas ácidos como a pobreza, o estilo rude e a má educação, outro fator importante em seus contos são os pequenos resumos de estudos sobre a natureza humana em imagens absolutamente lúcidas e auto-explicativas:

O incêndio terminara. Quando começaram a se dispersar, as pessoas perceberam que já havia amanhecido, que todos estavam pálidos, um pouco curtidos – era sempre assim, de manhã cedo, quando se apagavam as últimas estrelas no céu. Os mujiques sorriam e zombavam do cozinheiro do general Jukov e do seu chapéu, que havia pegado fogo; já tinham mesmo vontade de fazer piadas com o incêndio, como se fosse uma pena o fogo ter apagado tão depressa.

Anton Tchekhov em  ‘Os Mujiques’, 1897
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Até quando?

Apesar da minha linha de pensamento em que as pessoas só se metem em encrencas amorosas porque optam por fazer da vida uma grande escola prática de teatro, deixo vocês com essa reflexão de Nick Hornby, no melhor trecho de Alta Fidelidade:

I know I’m being stupid, but I don’t want her coming to my shop. If she came into my shop, I might really get to like her, and then I’d be waiting for her to come in all the time, and then when she did come in I’d be nervous and stupid, and probably end up asking her out for a drink in some cack-handed roundabout way, and either she wouldn’t catch my drift, and I’d feel like an idiot, or she’d turn me down flat, and I’d feel like an idiot. And on the way home after the gig, I’m already wondering whether she’ll come tomorrow, and whether it will mean anything if she does, and if it does mean something, then which one of us it will mean something to, although Barry is probably a nonstarter.

Fuck. I hate all this stuff. How old do you have to get before it stops?

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Walking Dead, tudo na rede

Walking Dead é uma série com zumbis. Isso me bastou para passar o último mês completamente maluco por cada notícia e cada cena das gravações, novos trailers, o de sempre. Até quando o episódio vazou* na rede, assisti sem legendas, numa qualidade terrível. Porque, inacreditavelmente, eu não tenho vergonha desse tipo de atitude de adolescente fã de Crepúsculo.

O primeiro episódio, dizem, é melhor do que a HQ. Não posso comparar, uma vez que só li a primeira edição da revista, que não conta todo o piloto, mas boa parte dele. O que posso dizer é que o seriado começa com uma variação de cenas nojentas, corpos mutilados e um elenco de zumbis e outros personagens menos caricatos do que em Zombieland, por exemplo.

Apesar de tudo, a Fox conseguiu cortar uns pedaços da série. E não digo ‘pedaços’ sem necessidade, que resumiriam a história, por motivos comerciais e bullshits. Estou falando de trechos importantes, que dariam outro contexto à história. É como não pagar o dublador do Homer Simpson na hora que o público mais precisa dele. Como teste, assista os dois (primeiro a versão web e depois a versão da Fox) e preste atenção no cavalo. Você vai entender.

E, bem, para me culpar completamente pelo copyleft da obra, você pode ler no WalkingDead.com.br toda a série de HQs.

*’vazou’ neste contexto significa viralizar por trás das cortinas, pra parecer um simples engano de logística. Conspirações, amigos, conspirações.