E aí, Fábio, beleza? Cara, um prazer imenso te conhecer. Sabe que sou teu fã desde aquela apresentação de Os normais no Jô, que eu tava assistindo ao vivo, inclusive, grandes tempos. Estava lembrando esses dias do quanto você carrega de legado desse cara, quando termina seu programa dizendo “é uma pena que o programa acabou”, já esperando (e a plateia já sabendo que vai fazer) aquele “aaaaahhhh” frustradinho porque tava legal pra caramba.
Depois daquela noite no Jô, eu dei uma esquecida de você. Foi um cara de uma faculdade fazendo um ato no meio do programa. Foi curioso, foi bem engraçado, mas foi meio de passagem. Claro que tua carreira deve ter começado naquele momento né? Mas pra mim, só fui te reencontrar no vídeo do Spoletto do Porta, mil anos depois.
Assisto teu programa com uma frequência boa no YouTube, embora não seja o público que assiste ao vivo sempre que passa na TV. E um dos negócios que eu sempre pensei “nossa, se um dia eu conhecesse esse cara, eu gostaria de trocar essa ideia” é sobre os convidados engraçadões (podia encontrar uns assuntos melhores? muito provavelmente).
Claro que você já deve ter falado disso em algum podcast de três horas desses por aí, mas tenho a impressão que rola um desconforto (que às vezes você não sabe disfarçar tanto assim, precisava te falar isso) quando o cara tenta ser mais engraçado que você, geralmente em momentos inoportunos.
Acontece muito com comediantes. Eu entendo o apelo de levar a classe pro programa, obviamente, as pessoas precisam da comédia, afinal, a ideia toda do programa é ouvir histórias e rir junto. E muitos deles tem a noção exata de que estão no programa de um cara engraçado e fazem coro a isso, só aumentando as piadas, ou completando as histórias com comentários engraçados, sagazes etc.
O problema, acho, é quando passa disso e o cara (ou a moça) está chamando mais atenção para o que eles tem a dizer do que pra história dos outros. Na verdade, são vários tipos. Tem esse que não consegue segurar uma piada em qualquer momento, tem os que imitam suas ideias como aquele “então vem pra cá, fulano” (fingindo que vai chamar alguém que jamais estaria ali). Porra, teve gente levando texto de standup praticamente pra contar história.
E nessa hora, a risadinha de Fábio olhando pra baixo e pensando num milésimo de segundo “mas que merda, hein” é o que mais me marca.
Queria te ouvir sobre isso. É chatão mesmo?
Só entre nós, claro. Isso não vai pro blog não, fica em paz.
Nesse “quadro” ou coisa que o valha, escrevo coisas ou começos de assuntos que gostaria de conversar com pessoas as quais eu sei que, muito provavelmente, nunca terei a oportunidade de estar junto e trocar uma ideia sincera sobre um microassunto qualquer.
Teve essa vez que estava num evento na 1dasul, lá no Capão Redondo. Eu ajudava no podcast da loja, que não era do Ferréz, mas levava uns convidados e um dos últimos episódios tinha sido com Eduardo Marinho, filósofo das ruas, que estava nesse dia.
Saímos pra fumar um cigarro lá fora da loja e ficamos conversando amenidades (o que pra mim, como seguidor a apreciador de tudo que o cara diz, já estava absolutamente inacreditável). Então passam duas meninas, na rua. Uma delas olha pra ele e diz “olhaaa, é ele…”, enquanto a outra dá de ombros. Pede pra tirar uma foto, dá um sorrisinho e vai embora, sem nem falar mais nada.
Quando elas partem, eu pergunto a Eduardo como ele se sentia sendo esse cara que as pessoas reconhecem mais ou menos e pedem fotos na rua. Ele começou a falar que era esquisitão tudo isso, mas que ele tinha se acostumado de certa forma.
Trocamos uma ideia rápida sobre o assunto. E essa foi a ideia do “conversas que nunca terei”, embora se realizando ao vivo.
