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São Paulo para todos nós

A frase do dia aqui na redação: Hoje é feriado no meu coração!less than a minute ago via EchofonRobson Assis
bigblackbastard

Falta um minuto para acabar o prazo oficial de comemorações do aniversário de São Paulo. Neste curto espaço de tempo, conto como foram as minhas.

Saí de casa para trabalhar com certo receio de não poder ver minha cidade no dia de seu aniversário. Atravessei a Régis Bittencourt e o Rodoanel com esse pensamento na cabeça. Ao chegar na Castello Branco, já tinha em mente as listas que preciso atualizar no trabalho e esqueci um pouco toda essa minha ingratidão.

Se você trabalha na Grande São Paulo, deve entender melhor o que estou falando. Osasco, Barueri, Jundiaí, Itapevi etc. Esses municiípios não são obrigados a tirar o dia de folga para o World Bike Tour ou para os shows do Anhangabaú, o que torna o dia 25, um tanto mais deprimente que o usual.

Com tudo isso em mente, estava preparado para terminar meu expediente e comemorar minha noite na Marginal Pinheiros, sentido casa.

E então, por qualquer infortúnio que prefiro não explicar em detalhes, me deparei com um carioca da empresa que trabalho. A primeira coisa que pensei foi nele dizendo que minha cidade não valia tanto assim, por ser do rio. Quando a gente tem uma auto defesa armada, é difícil redimir esses mini preconceitos sociológicos.

Ele disse que mora há quatro anos em São Paulo e, por trabalhar com entregas de caminhão, conhece mais a quarta maior cidade do mundo do que muito paulistano. Depois dessa discurso pedante, me aliviou dizendo que ama a cidade. Ama porque foi aqui que ele conseguiu estudar, conseguiu empregos que valessem a pena e uma real perspectiva de vida. Disse que a cidade fez ele mudar de vida de uma maneira significativa, de uma forma que ele mesmo não poderia prever que pudesse acontecer em sua história. Era o paulistano dream, na minha frente, patrocinando meu orgulho pela cidade natal.

Voltei pela marginal, como planejado, já com pensamentos melhores que os da manhã. Porque no dia 26 de janeiro, quando eu acordar para refazer todo o caminho até a Grande São Paulo, sei que a cidade ainda vai estar lá, de braços abertos, esperando de coração cheio os meus eufemismos mais simplórios.

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Uma coisa notável

Esse é meu amigo Leo Pollisson, me fazendo perder as estribeiras emocionais ao ler seu maravilhoso texto sobre sonhos e realizações (‘maravilhoso’? Significa).

Nunca acreditei demais nisso de sonhos e começo a perceber que só consegui assistir as quatro temporadas de The O.C por conta de uma frase dita ainda no piloto: ‘Deixa eu te contar uma coisa, certo? De onde eu venho, ter sonhos não te faz mais esperto. Saber que eles não vão se realizar… isso faz’. Essa era minha relação com a vida até alcançar a necessidade de sonhar, de acreditar que algumas coisas deveriam acontecer e que seria um desperdício estragar a vida sem seus sonhos, sem aquilo que te desprega da cadeira e que você defende com todas as suas forças.

Acho que o maior deles (e mais distante de tudo) é levar uma vida tranquila, onde quer que eu esteja. O que não quer, estritamente, dizer que pretendo levar uma vida boêmia, sem trabalho, um vagabundo perambulando pelas cidades atrás de bares e poetas malditos com quem conversar, meus sonhos beats já se mandaram durante os anos 10. Confesso ainda que trabalharia o dia inteiro, se necessário, caso o fruto desse trabalho desaguasse em minhas prórpias realizações pessoais. Mas talvez esse seja apenas um sonho genérico, afinal, todas as pessoas que conheço querem também suas doses moderadas de paz.

E hoje tenho sim alguns sonhos, influenciado também por essa ‘vida adulta’ que não tarda a me acontecer. Os sinais estão claros: este é o segundo ano que pago meu imposto de renda, terceiro a pagar o IPVA e o primeiro a fazer tarefas domésticas de verdade —o que me acendeu uma lâmpada sobre a cabeça para lembrar que eu moro na casa de meus pais e que aquilo não é a merda de um flat.

Claro que não é só isso, tem os sonhos que são só meus, os materiais & shit. Eu gostaria de ter uma livraria pequena, dessas com banquetas na calçada e um toldo envelhecido. Lembra de ‘Um lugar chamado Nothing Hill?’. Isso, aquela bookstore do Hugh Grant.

Lembro então de um senhor que conheci nos idos de 2003, próximo à Praça da Árvore. Ele tinha transformado uma banca de revista num sebo, na própria avenida Domingos de Moraes. Na época achava sensacional a idéia de estar ali, de arrumar as pilhas à minha frente e só fechar ao anoitecer. Comprei alguns livros, o senhor sabia muito sobre filosofia e me ensinou algo —durante alguns horários de almoço que perdi na caminhada até sua banca— sempre profundo à seus modos grosseiros ‘você tinha dito que acredita no cristianismo, não? leva esse Kant aqui, pode te ajudar’. Acho que esse é o meu sonho palpável. Se um dia eu encontrar o tiozinho, vou perguntar como deu certo pra ele.

Existe também essa lista. Preciso montar bandas, confeccionar zines, criar um projeto de revista, novos blogs desnecessários, falar com o Leo sobre um site de casas de samba em São Paulo que queria montar (e-mails?), fazer uma viagem pro México (agora que não precisa mais de visto dos EUA), outra pra Nova York e a última para Machu Picchu, descendo até o final do Chile e voltando pelo sul do Brasil.

Sonhos tem isso também, eles não precisam de reconhecimento. Basta que você alcance seu objetivo. Pode o mundo inteiro te olhar estranho porque você é dono de uma boa revista e adora distribuir fanzines em shows independentes. A única relação de comprometimento dos seus sonhos é com o que você deseja.

Todos esses sonhos são algo que tentamos fazer parar marcar nossa passagem de certa forma. Não precisamos ser ícones mundiais em tudo aquilo que fizermos, é como diz aquele comercial da Johnnie Walker. Para que em 50 anos depois de partir, alguém ainda lembre de você com um suspiro, um sorriso perdido no horizonte e um menear de cabeça, como se o mundo girasse torto sem você por ali.

 Termino por aqui como o Leo terminou por lá: ‘Mas e ai? Qual o seu sonho?’

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Top Hits de 2010 #001

Esta não é uma lista, mas uma seleção não-definitiva destes programas que marcaram meu ano de 2010. Quando lembrar, posto outros.

::Rádio Sulamérica Trânsito
Meu oráculo de delfos para chegar no trabalho com menos atraso, escapando de caminhos tortuosos, acidentes e faixas bloqueadas. É, de longe, o serviço de utilidade pública que mais utilizei este ano. Sem contar que acompanhar o trânsito diariamente se torna um vício, acredite. Várias vezes me peguei ouvindo a rádio voltando de noite, sem necessidade, naquele momento em que só preciso estar mais próximo de alguém que conheço. Essa é a rádio sulamérica trânsito ajudando você a superar o trânsito de São Paulo seus problemas afetivos.

::Programa Elas & Lucros
Quem acompanhou o começo deste blog sabe que eu estava financeiramente destruído no final de 2009 e que foi uma batalha sem limites conseguir reorganizar minha vida no Itaú. E, bem, este programa, da Brasil 2000 (107,3 FM), passa exatamente no horário em que estou a caminho do trabalho, o que facilitou todo nosso relacionamento. Com avaliações de casos, notícias e entrevistas com profissionais, eu consegui colocar tudo no papel e passar uma borracha nesse caos todo. Ah, sim, o programa é dedicado a mulheres, mesmo tendo diversos homens sendo entrevistados, ou tendo seus casos avaliados ou nos comerciais. Óbvio, mas não posso deixar de dizer, os comerciais são destinados ao público feminino (único ponto negativo) e se tornam insuportáveis num nível Sex & the City para os ouvintes masculinos.

::Man vs. Food
Just a regular guy, with a serious apetite. Não sei contar pra quantas pessoas eu falei desse programa este ano. Só pra Núbia foram umas três, pelo menos. É aquele do cara que roda os Estados Unidos atrás de desafios gastronômicos e comidas interessantes. Foi lá que descobri o cachorro-quente mexicano, com salsicha enrolada em uma tira de bacon, no pão com feijão, vinagrete e queijo (um dia ainda faço essa parada). Programa da Travel Channel, mas passa na TV a cabo brasileira pelo Fox Life. É o único programa de TV que consigo assistir sem marasmo ou desprezo intelectual. É um programa que assisto exatamente como os Reaction Guys, sério.

::Quadrinhos dos anos 10
Era um dia comum aqui no escritório, quando pegam o livro do André Dahmer para produzir no site. Perguntaram se eu conhecia e eu parei tudo o que estava fazendo na tentativa absurda de explicar a genialidade em questão. Impossível, óbvio. Mesmo assim, ainda consegui converter uma compra do livro, que rodou pela casa de todo mundo aqui na mesma semana. Os Quadrinhos dos Anos 10 não necessitam de explicação, basta um acesso ao site do Malvados, e você vai se pegar clicando em ‘tirinha de ontem’ de maneira compulsiva até o final do dia útil (ou até o final do ano, uma vez que faltam dois dias e tal).

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por Um Laerte cartunista

‘Você não fica louco de ter que inventar uma história nova todo dia?
Realmente não tem perigo nenhum. Muitos autores novos inclusive me perguntam isso, como fazer quando tiver um branco, quando der aquele vazio existencial, um bloqueio, como entregar uma tira? O que eu digo é que não se deve ter medo. Se você quiser, existem bons facilitadores para esse momento, que é um momento meio perturbador mesmo. Anote coisas que você acha que um dia podem ser histórias, uma situação, um fragmento de ideia, vai juntando tudo numa pasta, numa caixinha de sapato, coisa assim. Chama isso do que você quiser, “fragmentos de ideias”, “fetos” (eu já ouvi essa, tinha uma amiga minha que chamava assim), “armazém”. Eu até hoje tenho isso, mas o fluxo nunca teve grandes problemas.’

Laerte, dessa vez numa entrevista de verdade, pela sempre gloriosa Vice Magazine.

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Piscinão, the movie

Ontem, no meu atual oráculo de Delfos chamado rádio Sulamérica trânsito, pouco antes das dez horas da noite, ouço uma notícia sobre os alagamentos na cidade de São Paulo.

Não sei exatamente quem era o entrevistado, mas era claramente o contraponto da matéria. Apesar dos terríveis alagamentos em Osasco e na zona sul – exatamente os dois lugares por onde passei ontem – o malandro defendia a prefeitura que estaria fazendo o possível com a verba dedicada à infra estrutura da cidade contra estes desastres naturais.

Pra fechar a matéria, ele disse algo como ‘inclusive a ação já começou e já foram instaladas câmeras em todos os piscinões da cidade.

Alguém pode me explicar como câmeras de monitoramento são mais imprescindíveis que a limpeza de bueiros e a retirada de lixo indevido? Porque, sinceramente, até uma tentativa possivelmente frustrada de conscientização sobre o acúmulo de lixo soa mais interessante do que o monitoramento de um buraco gigante.

A caixa de comentários está aberta.

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Ensaios Dominicais

Assistir Multishow no final de semana geralmente significa que algo grave aconteceu, ou está acontecendo, embora isso não venha ao caso. Estava vendo aquele programa em que eles pegam uma celebridade e fazem com que ela tenha um trabalho comum por um dia. A idéia é que o atorzinho da novela das oito deixe o Projac e tenha seu dia de garçom, vendedor de loja ou faxineiro de shopping.

Quando toda a diversão que lhe resta ao redor é uma programação de domingo entediante, esse programa se torna automaticamente uma coqueluche do entretenimento barato, da qual consigo inclusive esperar os comerciais – com o devido desvio de pensamento de todas aquelas propagandas ‘geniais’ (NOT).

Isso quando as pessoas que participam são famosas e tal. Engraçadinho ver a Angélica tropeçar com as bandejas de suco na mão, ou o Arnaldo César Coelho de taxista, por exemplo. Mas quando colocam alguém desse mundo B de celebridades, não faz sentido algum. Se o cara vai passar batido e uma ou duas pessoas vão reconhecê-lo ‘de algum lugar’, qual a diferença dele pra todos nós, reles mortais, sem crachá de acesso aos estúdios do Projac?

Claro, não parei de assistir até o final.

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Os Mujiques e a vida como ela é

Anton Tchekhov é um dos maiores contistas da história, mas só o descobri agora, no momento relativamente certo, quando você sabe realmente o que está procurando. Uma das coisas que mais me chama a atenção logo de cara é como ele faz de seus contos grandes, grandes contos. Cada capítulo tem sua própria história, com começo, meio e fim e nos garante a perfeita sensação de ler diversos contos interligados num só.

Além da linguagem e dos temas ácidos como a pobreza, o estilo rude e a má educação, outro fator importante em seus contos são os pequenos resumos de estudos sobre a natureza humana em imagens absolutamente lúcidas e auto-explicativas:

O incêndio terminara. Quando começaram a se dispersar, as pessoas perceberam que já havia amanhecido, que todos estavam pálidos, um pouco curtidos – era sempre assim, de manhã cedo, quando se apagavam as últimas estrelas no céu. Os mujiques sorriam e zombavam do cozinheiro do general Jukov e do seu chapéu, que havia pegado fogo; já tinham mesmo vontade de fazer piadas com o incêndio, como se fosse uma pena o fogo ter apagado tão depressa.

Anton Tchekhov em  ‘Os Mujiques’, 1897
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Walking Dead, tudo na rede

Walking Dead é uma série com zumbis. Isso me bastou para passar o último mês completamente maluco por cada notícia e cada cena das gravações, novos trailers, o de sempre. Até quando o episódio vazou* na rede, assisti sem legendas, numa qualidade terrível. Porque, inacreditavelmente, eu não tenho vergonha desse tipo de atitude de adolescente fã de Crepúsculo.

O primeiro episódio, dizem, é melhor do que a HQ. Não posso comparar, uma vez que só li a primeira edição da revista, que não conta todo o piloto, mas boa parte dele. O que posso dizer é que o seriado começa com uma variação de cenas nojentas, corpos mutilados e um elenco de zumbis e outros personagens menos caricatos do que em Zombieland, por exemplo.

Apesar de tudo, a Fox conseguiu cortar uns pedaços da série. E não digo ‘pedaços’ sem necessidade, que resumiriam a história, por motivos comerciais e bullshits. Estou falando de trechos importantes, que dariam outro contexto à história. É como não pagar o dublador do Homer Simpson na hora que o público mais precisa dele. Como teste, assista os dois (primeiro a versão web e depois a versão da Fox) e preste atenção no cavalo. Você vai entender.

E, bem, para me culpar completamente pelo copyleft da obra, você pode ler no WalkingDead.com.br toda a série de HQs.

*’vazou’ neste contexto significa viralizar por trás das cortinas, pra parecer um simples engano de logística. Conspirações, amigos, conspirações.

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Resgatem-nos!

Deslumbrante (NOT) o evento que a mídia nacional fez sobre o resgate dos mineradores chilenos na noite de ontem. Eu tentava assistir pela primeira vez o programa A Liga, na Band, que parecia ter uma linha Gonzo interessante, trazia o Rafinha Bastos sem fazer piadas e tratava de sem-tetos em São Paulo.

Terminei de ver o programa, embora tenha sido interrompido sumariamente por uma garota do plantão trazendo imagens ao vivo do salvamento dos novos heróis nacionais no Chile.

Impressiona que eles tenham ficado debaixo da terra por tanto tempo, mas acredito que o conceito de heroísmo tenha perdido completamente o sentido e venha sendo usado sob a guisa irresponsável de chocar o público. Ora, se sobreviver em condições adversas faz de você um herói, a humanidade está num incrível inflação de supermans.

Outro fator decepcionante foi o declínio do provável setor de tecnologia novas mídias que não soube transportar pela TV uma imagem transmitida pela internet. Quem assistiu os plantões da Record News e Band viu a inacreditável cena de um monitor sendo filmado por uma câmera sem tripé que tremia compulsivamente.

Não posso dizer exatamente se as imagens foram feitas pelas emissoras nacionais ou retransmitidas de alguma emissora chilena, mas não restam dúvidas que foi uma ocasião lastimável para o jornalismo de TV.

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Era um garoto

“I need a camera to my eye
To my eye, reminding
Which lies I have been hiding
which echoes belong
I’ve counted out days
to see how far
I’ve driven in the dark
with echoes in my heart”

Wilco, Kamera (do disco Yankee Hotel Foxtrot)

Naquela época eu tinha 16 anos e jogava futebol. Era velho demais pra jogar no time dos pequenos, até os 15, e era novo demais para jogar com os grandes, de 17 pra cima. Jogando com os pequenos era sempre vantagem, ser zagueiro e gigante pra minha idade, acentuava isso como você pode imaginar. Com os grandes era nítido, ficava completamente perdido no campo. Ainda que maior e aparentemente da mesma idade deles, não tinha as manhas do jogo. Embora o técnico sempre me encaixasse.

Dez anos mais tarde estou na frente de uma estação de trabalho, ganhando metade do salário que gostaria, criando meu inferno pessoal entre planilhas e e-mails que não respondo, ganhando a vida.

Sou novo demais pra fazer o que gosto de fazer, que é ficar em casa plantado lendo meus livros, lendo o Google Reader e quem sabe admnistrando os estoques de pipoca e suco de laranja da casa. Ao mesmo tempo, quero ver o Leo e passar um final de semana jogando X-box e trocando idéias sobre a vida, como outras vezes, quero dormir na sala do apartamento do Diogo e acordar podre de ressaca. Só o fato de querer ser inconsequente, díspar e até um pouco arrogante, faz com que me sinta velho demais pra isso.

Embora a vida sempre me encaixe.